17 de fevereiro de 2016

DIEGO KUFFER < FOTOGRAFIA < S. PAULO BRASIL






Kuffer busca discutir o limite das possibilidades da linguagem fotográfica, utilizando, para isso, colagens e transformações que revelam a expansão e compressão do tempo e do espaço.
Formado em administração de empresas pela FAAP, em 2002, pós-graduou-se em semiótica-psicanalítica, pela PUC, em 2008. Em 2010, abandonou a carreira em marketing para dedicar-se por completo à fotografia como arte e profissão, tendo estudado fotografia na Escola Panamericana de Arte.



6 jogos


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Mimeógrafo
Interpretação. Compulsão. Exaustão.
Repetindo a cadeia de interpretações enquadramento-fotografia-edição-impressão de forma repetitiva e compulsiva, fica claro que em algum momento tudo acaba. Deteriorando-se a cada elo da cadeia, qual um prazer que se repete em busca do prazer que deu origem ao prazer, a fotografia carrega em seu corpo nossa finitude.
Com Mimeógrafo, é meu desejo mostrar como repetições obsessivas tentam de forma inútil evitar o derradeiro destino que nos cabe. É como se eu tivesse a ilusão de ser um ouroboros, sem lembrar de um começo, portanto não há porque haver fim (mesmo que o dos outros esteja aí, tentando lembrar de que um final é inevitável).
Evidentemente, não deixa de ser uma ilusão infantil esta de ser eterno. No entanto, duvido que haja realmente quem seja capaz de entender a sua própria exaustão. Especialmente um de nós, fotógrafos, munidos de nossas fotografias eternas.








 Todo Pela Parte (2013)
Penso sobre minhas primeiras lembranças, as mais profundas de minha infância. Cenas de praias. Nítidas, quase perfeitas, que, conforme tento me aproximar, para entender melhor de que detalhes elas são feitas, vão se diluindo, como se fossem uma trama, que vai se despenteando, se desfazendo, desalinhavando, ficando em minhas mãos apenas os fios que a formavam.
Não consigo saber o que são estas lembranças, se são reais ou construídas: será que eu as vivi de fato ou são apenas relatos e imagens roubados que eu fui tomando para mim como meus e unicamente meus? Nestas lembranças mais básicas e fundamentais, percebo que não há lembranças puras, reais retratos do que eu vivi. Construções de minutos tecidos instantaneamente, imediatamente. Transformação involuntária e descontrolada de imagens, sentimentos e experiências que me leva a cozer inclusive o que não vivi. Tomo um pequeno momento vivido e o transformo em algo maior. Tomo uma pequena parte e a transformo em um grande todo.

As fotografias produzidas atualmente são de fidelidade cristalina, alta definição e verossimilhança indiscutível. Demasiada informação que não me permitiria fotografar uma lembrança.
Em O Todo Pela Parte, tento tecer imagens que mostram como minhas memórias são fragmentadas, repletas de lacunas, buracos, rupturas, tal qual uma trama, e que, por isso, a compreensão vem de interpretação.
Aqui, os detalhes escondem e a falta revela.








Linha Amarela (2012)
“Desdobramento da série TransitóriosLinha Amarela toma o pulso da veia subterrânea da cidade de São Paulo e poetiza o serpentear de vagões e o fluxo intenso de passageiros. Ao desconstruir imagens, o fotógrafo Diego Kuffer cria caleidoscópios surreais e transforma o cotidiano de túneis e trens.”








Crononauta (2012)
O que molda a nossa visão é a experiência. Conforme o caminho é percorrido, diferente será a percepção que temos do mundo. Como se o tempo fosse uma bruma que vai se esmaecendo, descortinando o novo no antigo, mesmo que por trás desta haja ainda mais bruma. São as sombras na parede que vão perdendo nitidez conforme nos aproximamos da entrada da caverna, mas que nos faz chegar mais perto do que realmente está do lado de lá.
O tempo é um corredor homogêneo, qual uma extensa estrada reta, que nos ilude sobre quanto foi percorrido e quanto há a percorrer. E é por este caminho, um túnel de mão única, que vemos tudo; este caminho nos serve para entender o mundo.
Encontramos no relógio uma maneira de matematizarmos este percurso, tornando-o material, consistente e, assim, nos ajudando a entender, mesmo que momentaneamente, a ilusão e como esta areia escorre de fato. 

Crononauta é uma tentativa de mostrar esta viagem monótona e, principalmente, finita que fazemos no tempo, como ele age sobre nós e como nós agimos nele. O Crononauta em questão não é o relógio, apenas uma estaca no tempo; o Crononauta do qual a foto fala é você que está a ver o relógio.






Intempéries (2010)
Surgiu da observação do tempo e da percepção de quão lentamente ele se esvai, mas sem perder suas estrondosas consequências. Surgiu também de meu prazer em ver a lentidão com que as nuvens se movem, se chocam, formando imagens que se transformam, apesar de parecerem paralisadas no instante.

Com Intempéries, desejo mostrar o quanto tudo está mudando – mesmo que de forma quase estática -, mas de forma intransigente, soprando um certo ar de imanência.






Seleção de exposições recentes 
Individuais 
2010
  • “Caderno de Anotações”.
Coletivas 
2013
SP Arte – Galeria Lume;
SP Arte/Foto – Galeria Lume;
2012
“Paisagem Imaginária” – curadoria de Eder Chiodetto;
SP Arte/Foto – Galeria Lume Photos;
ArtRio – Galeria Lume Photos;
“Traços de Realidade” – com Juan Esteves e Rodrigo Kassab, na Lume Photos;
SP Arte – Galeria Lume Photos;
2011
Coletiva Photo Art Brasil – Lume Photos, na Galeria Sérgio Caribé;
SP Arte/Foto – Arterix e Lume Photos;
2010
“Dobradiça” Coletiva com curadoria de Eder Chiodetto2011.



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